segunda-feira, 10 de maio de 2010

Obrigado.

Assim neste convite, incorporo vosso Blog, que prezado espero poder contribuir com textos de minha autoria, para que no conjunto todos em algum momento da sua história possa ajudar o outro a escrever o seu pensar...
Obrigado desde já!

*
Paulo Martins.

domingo, 9 de maio de 2010

Tarde de Domingo


Em tarde de domingo me sinto sozinho, exaltado em meus pensamentos,
abro a janela e la fora vejo um mundo tão distante...tão reflexivo

Faz frio, sinto uma leve brisa ao meu encontro e com isso sinto
a natureza esbanjando seu frescor em meu rosto,
estou de peito aberto nesse momento, sem pensar em nada...mudo
é como eu estivesse sozinho no mundo, apenas eu e o vento

Nesse instante a natureza me presenteia, e sinto a chuva
cair sobre minha cabeça, lava minha alma e mesmo assim
de olhos fechados, eu sinto e enxergo dentro de mim a paz
Simplesmente a paz.

*
Julio Cezar Queiróz.

sábado, 8 de maio de 2010

Dia das mães


Útero que alberga e placenta que pacienciosamente nutre.
Coração que nos ensina o gostoso ritmo da vida.
Cordão que nos areja e traz a conciência de uma existência.
Vagina, pórtico do meio ser, saída delicada e poderosa do novo rebento.
Mama que protege do medo e do novo meio,
ensina o verdadeiro amor, incondicional e necessário.
Mãos ternas e seguras que nos conduzem em todos momentos.


Alma materna que se fragmenta e de seus estilhaços nos dá a nossa própria.
Acata o sofrimento, pois não se nega ao ciclo da vida.
Recebe pequeno nome que esconde sua grandeza.
Mãe é você, divina criatura.
Não digo feliz dia das mães, pois todo dia é dia dessa brava e serena obra divina.

*
Vassalo das Letras.

Folhas de um vendaval...

O sol vem calmamente a minha janela
Seus raios desenham o rosto dela
Os olhos flamam ao olhar o horizonte
Ao vê-la na chuva brotar mansa fonte

Em brumas vai se ofuscando lentamente
Pouco a pouco surge um deserto silente
Seus lábios contêm milhões de promessas
Tal qual um plácido rio tu atravessas

Arduamente e se finda numa aragem
Pouco a pouco se torna só uma paisagem...
E uma nova estação se anunciou
Mesmo com lágrimas nos olhos renegou

E quando um novo sol para mim brilhar
Quando olhar para fora quero te encontrar
Envolta em plumas cintilantes voando
Em uma aurora de louvores soando

Não mais que velhas lembranças que vem que vão
Por oceanos e desertos na solidão
Do sopro do gélido vento invernal
Somos folhas levadas por um vendaval...

*
Joselito de S. Bertoglio

Fragmentos de mim

E de repente sou amor,
Tão de repente sou ódio...
E de repente sou furor,
Tão de repente sou rocio

E de repente sou vazio...
Tão de repente sou cheio...
E de repente sou navio
Tão de repente sou alheio...

De repente sou fascínio
Tão logo sou desilusão...
De repente sou declínio,
Tão logo sou fascinação...

De repente sou sozinho,
Tão logo sou companheiro...
De repente sou caminho,
De repente derradeiro...

De repente sou ruína,
Tão logo sou paraíso...
De repente adrenalina,
De repente sou sorriso...

E de repente sou pranto,
E tão de repente sou céu...
De repente sou espanto,
De repente sou mausoléu...

E de repente sou drama
De repente sou comédia
De repente sou a grama
De repente sou tragédia...

De repente sou o todo,
Tão logo me sinto o nada,
E de repente sou lodo,
De repente sou toada...

E de repente sou sonho,
Tão logo sou pesadelo...
Sou como o prado risonho...
Num segundo sou castelo...

E tão de repente te amo!
Tão de repente te esqueço!
E de repente te chamo,
De repente me conheço

Ah! Sou tantos dentro de mim,
Que já não sei mais quem eu sou!
Ora sou um brando jardim,
Outrora sou flor que secou!...

De repente sou calmaria,
De repente sou contente...
De repente sou gritaria
Sou não mais que de repente...


*
Joselito de S. Bertoglio

Chuva em mim

A chuva se espalha pela madrugada,
Tal qual, eu vou pelas ruas à toa...
...E vou mesmo com a alma já calejada
Pelos obstáculos e espinhos da vida...
Vou vagando pela memória perdida
Tal qual um labirinto cheio de escolhas
Nas noites meu coração é névoa
Vou soprando pelas ruas como folhas

De um livro bailando numa mansa aragem
Sem regras, sem destino, num sopro esmo
Velozmente passo como uma miragem
Pelas formosas manhãs de primavera
Mesmo que paz dentro mim jamais houvera
Que meu coração fora mil retalhos.
Dia e noite o mesmo soprar... Sempre o mesmo!...
Sou simples folhas desprendidas dos galhos...

Sou chuva pela madrugada silente,
Em trovões e raios sou amor selvagem
Sou um pensamento tão incoerente
Sou manso lago, sou louca tempestade...
Sou pesadelo, sonho, clamor, vaidade...
Sou humanamente divino! Tão franzino!...
Sou desejo, sou eterno, sou passagem
Sou anseio, sou a busca do destino

A chuva molha meus lábios num manso
Toque, tal qual quando os sutis lábios dela
Tocavam os meus fazendo um remanso
Jardim repleto de flores primorosas...
Um arco-íris de cores harmoniosas...
Ó! Sou selva, sou fogo, sou ar, sou terra
Sou chuva! Que purifica e se revela
Em mansas brisas e bramidos de fera...

A chuva se derramada no horizonte
E se derrama num suave perfume
És mansidão, és promessa, mansa fonte,
Por um plácido manto sou envolvido
Pelo céu anil, sou brisa, sou gemido
Andando pela madrugada silente
No firmamento sou estrela que lume
Sou folha bailando no vento rangente

Sou chuva, sou sol, sou poesia, sou dança
Aí! Sou tão culto, sou tão oculto, um vulto...
Sou pensamento, sou lança sou lembrança
Sou silêncio, terremoto, sou remorso...
Sou divino, sou menino, sou esforço,
Descansa! Sim, descansa pobre criança!
Que amanhã de novo, serás um adulto!
Sereis folhas sopradas na aragem mansa...


*
Joselito de S. Bertoglio

Rosa do amor

Ó flor que nasce nos bosques mais formosos,
Em teus olhos pairam celestes céus
E neles há desejos misteriosos...
É dócil até o pranto que vai surgindo
Como orvalho vertido em gotas de cristais
Por tua cândida face e tecem véus
De imensurável esmero e vem vestindo
A delicadeza de um silvestre lírio...
Teus cabelos são pássaros dourados
Bailando no sopro das brisas matinais
Em cada olhar sem toque é um martírio
Teus lábios são prazeres rabiscados
Coberto de essências de jasmins e rosas
Eles são vinhas de frutos saborosos
Um Oasis de desejos que vão queimando
Tal fogueira nos fins das tardes invernais
Teus sorrisos são brumas fabulosas
De versos cantados num acorde brando
Derramam fragores tão harmoniosos
Movem-se lentamente em gestos cordiais
Ó nobre flor revestida de primores
Tens o sabor do pecado e divindade
És prisão invisível, és liberdade
Nos teus olhos flama um louco desejar
Numa imensa ânsia de ser amada
Como um jardim que ama em silêncio as flores
Deixa na areia uma letra marcada
Pra sua angustia ser levada pelo mar...


*
Joselito de S. Bertoglio